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2月5日
A história a seguir é verdadeira e um dia fará parte da minha biografia. Aconteceu na semana passada: Eu havia saído de casa pela manhã e só voltei no meio da tarde. Ao chegar em casa, dei de cara com uma cadelinha Pintcher, marrom; deitada no tapetinho da minha porta. Ao ver o pobre animalzinho, eu disse: "oi! Quem é você?" A pobre então me olhou assustada. Tremia tanto de medo... Tentei me aproximar, mas a pequena quis me morder (estava machucada, provavelmente alguém do mal havia judiado dela). Passei por ela, abri a porta e entrei em casa, pensando no que eu iria fazer com aquela cadela, já que meu marido não gosta de animais e estava pra chegar. Ele nunca judiou de um bichinho, mas os quer bem longe dele! Preparei pão com leite pra ela e uma vasilha com água. Levei para a pobre comer, já que parecia estar faminta! Era pele, osso, pulgas e feridas. Fiquei observando-a devorar a tigela de papinha, enquanto meu coração ia ficando apertado de vontade de cuidar dela.
Sentei-me na escada e abaixei a cabeça, com muita vontade de chorar... ela veio perto de mim, cheirou minha mão direita e subiu no meu colo, me olhando como quem pedia socorro. Acariciei sua cabecinha imunda e pulguenta e pensei que poderíamos ser muito amigas. Eu poderia cuidar dela e em troca ela só precisava ser uma boa amiga... Isso passou pela minha cabeça, mas eu sabia que não poderia ficar com ela. Tomei-a nos braços e ela "me abraçou" com suas patinhas machucadas; meu coração ficou ainda menor e as lágrimas passaram a correr pelo meu rosto, como agora, que me lembro do ocorrido. Desci as escadas do prédio e coloquei-a do lado de fora, fechando o portão em seguida para que ela não pudesse voltar. A vi tentando, desesperadamente passar por uma grade muito estreita, sem êxito e chorei... Chorei por que me doeu não poder cuidar dela, porque me senti (e me sinto) mal por ter sido injusta... A pobre cadelinha só queria um lar e eu não pude dar. Depois ela partiu sem rumo, assustada, aflita... e eu fiquei aqui atormentada, culpada...
Hoje eu passo horas olhando pela janela, e querendo que ela volte. Queria poder reparar meu erro. Queria ter uma segunda chance... Eu poderia convencer meu marido a ficarmos com ela, mas fraquejei, tive medo de deixá-lo nervoso e por isso fracassei. Depois desse dia eu nunca mais serei a mesma. Daqui pra frente vou ouvir mais o meu coração e vou deixar de tomar decisões pela razão. À noite, tenho sonhado com ela, pequenina, magrinha, ferida, triste e precisando de alguém que cuide dela. Como isso dói! A você que estiver lendo esse texto agora, lembre-se de dar amor a todos que cruzarem pelo seu caminho, pois eu me arrependi de não tê-lo feito por uma cadelinha Pintcher marrom que apareceu na minha porta.
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